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OS MELHORES CASES DO ANO DE ELEVAÇÃO DE CARGAS E TRANSPORTES ESPECIAIS

Entre mais de 52 cases inscritos para os prêmios Top Crane e Heavy Duty, nesta edição de 2017, a oitava consecutiva, a seleção dos 12 vencedores foi um árduo e trabalhoso processo decisório. A primeira surpresa foi, é claro, o número de concorrentes que excedeu o registrado mesmo em períodos anteriores à crise econômica.  Constatou-se, mais uma vez,  que os dois setores, não raro com atividades integradas, possuem hoje um altíssimo nível de proficiência – em termos de competência, capacidade, habilidade e maestria -. O que só ocorre quando a profissionalização da atividade é efetivamente prioritária, merecendo os consequentes investimentos em processos, qualificação e tecnologias. Continue lendo OS MELHORES CASES DO ANO DE ELEVAÇÃO DE CARGAS E TRANSPORTES ESPECIAIS

EDIÇÃO Nº 55

 

 

TOP CRANE’2017
Expoentes do setor
ENERGIA
Horizonte para a indústria carbonífera
INFRAESTRUTURA
Conexão entre São Paulo e Guarulhos
SANEAMENTO
Obra para a segurança hídrica de São Paulo
INDÚSTRIA 
A última grande peça para projeto de celulose
SEGURANÇA E TREINAMENTO
Parâmetros referenciais para grandes projetos
REMOÇÃO TÉCNICA
Troca de peça de 20 t em parada programada
PLANO DE RIGGING
Içamento em planta industrial
TRABALHO EM ALTURA
Nova opção para embarque de açúcar e grãos

HEAVY DUTY’2017
Dominadores de rotas
RODOVIÁRIO
Travessia por estradas de canaviais
MULTIMODAL
Transbordo através do Rio Xingu
CARGA EXCEDENTE
“Terminal flutuante” de porto a porto
SEGURANÇA E TREINAMENTO
Risco zero como meta
INFOCRANE
Erickson alça voo novamente

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EDIÇÃO Nº 53

Nesta edição
TELESCÓPIO 
A nova ISO9001
CONJUNTURA
Empresários se mobilizam e associações setoriais ganha força
ENTREVISTA
Júlio Simões, presidente da Locar e, agora, do Sindipesa:
MERCADO
Prospecção de negócios a curto e médio prazo
EQUIPAMENTOS
Quando usar um guindaste telescópico AT ou RT
TRANSPORTE (Revista HD)
Nomes e Notas
Transmissões Allison nos caminhões da CNHTC
Seminário
Marco regulatório do TRC e os desafios dos transportes especiais
Balcão
Novos recursos em reboques rebaixados
GUIA CRANE BRASIL
Controles e acessórios para elevação de cargas
INTERNACIONAL
Recantos mágicos construídos pelas gruas
DICAS
Aptidões e fatores que colaboram com a “sorte”
RIGGING
Planejamento pode reduzir 25% nos custos
CLASSIFICADOS
Oferta de guindastes usados e seminovos
INFOCRANE
Guindastes do Pier Mauá viram ponto turístico

IÇAMENTO DIFERENCIADO DA MAKRO EM SHOPPING DE FORTALEZA

Por Ricardo Gonçalves,

makro shopping ceara rigging 1O maior shopping do Ceará está ganhando corpo. Passando por uma fase de ampliação, o Shopping Iguatemi, localizado no bairro de Água Fria, em Fortaleza (CE), requereu soluções diferenciadas de engenharia, com base em um rigoroso plano de rigging. O empreendimento é da Jereissati Centros Comerciais (JCC) e o gerenciamento da obra está a cargo da Engexpor. A Makro Engenharia foi contratada em maio para as operações de içamento, depois de uma concorrência acirrada, por ter indicado a melhor alternativa e dispor do equipamento adequado para execução do projeto.

As condições locais e os elementos finais de arquitetura, de madeira e com peso de mais de 10 t, não permitiam que ali operasse um equipamento convencional. Além disso, haveria a presença de seis gruas fazendo o içamento de peças menores – quatro delas deverão permanecer até o fim da obra. Também havia sido definido que a ampliação do shopping seria feita sem interrupção de seu funcionamento normal e, portanto, com pessoas e carros transitando pela região como se fossem dias comuns. Ou seja, no fim das contas, era necessário uma máquina com enorme alcance e boa capacidade de carga. Já que um simples erro poderia ocasionar acidentes fatais.

makro shopping ceara rigging 2Atendendo a essa prioridade, a Makro Engenharia colocou em ação um dos diferenciais de sua frota de equipamentos: o guindaste telescópico sobre pneus Liebherr LTM 11200–9.1, com a maior lança telescópica do Brasil e capacidade máxima para 1200 t, devidamente posicionado no canteiro e configurado para o içamento de peças de madeira de até 16 t.

“Após a definição do guindaste telescópico sobre pneus, voltamos nossos estudos para o solo, que precisa de estabilidade e segurança. Era uma área onde antigamente existia um mangue, portanto os subsolos não são nada adequados, não resistem a grandes cargas”, afirma Claudio Morais, gerente técnico da Makro Engenharia. Assim, eles estabeleceram o local ideal para o patolamento e delimitaram rigidamente sua área de trabalho para minimizar o quanto possível o esforço diretamente no solo. Dessa forma, a equipe da Makro determinou a melhor alternativa para o seu nivelamento.

Teoria e prática
Em resumo, o desafio operacional estava colocado nos seguintes termos: um guindaste de grande alcance, posicionado sobre um antigo mangue, em uma área densamente urbanizada, com fluxo próximo de veículos e pessoas. Já na etapa de montagem do LTM 11200-9.1, a operação chamou a atenção, pois a lança foi transportada separadamente e montada no local. A configuração da lança foi feita como T3YVEN, com cavalete para ancoragem. Foram utilizados dois outros guindastes, ambos móveis, sendo um Liebherr LTM 1095-5.1, para até 95 t, e um Grove GMK6300L, com capacidade máxima de 300 t. Isso mesmo: somente a montagem do equipamento principal já representou uma operação de içamento considerável, com o uso de uma máquina de 300 t como auxiliar.

makro shopping ceara rigging 3Ele foi configurado com luffing jib acoplado a lança, alcançando até 131 m de altura, um ângulo de 76º num raio de 96 m – dois metros a menos que o máximo, dado o coeficiente de segurança – e contrapeso de 202 t. A obra ficou parada nesse meio tempo, até o fim da montagem, que levou três dias e meio. O primeiro teste feito pelo operador foi um giro de 360º da máquina estabilizada. Ele mesmo se surpreendeu com o sucesso e parabenizou os projetistas e técnicos.

Em obras tradicionais, a engenharia trabalha sempre com uma margem de manobra. Neste projeto, especificamente, não havia possibilidade para essa margem. “A importância de um plano de rigging bastante detalhado se justificou nesse caso por dois fatores básicos: o guindaste precisaria girar 180º para içar certas cargas e sua lança estava numa área de intersecção com a de uma grua”, conta Abraão Lima, projetista de rigger da Makro.

Claudio Morais, gerente técnico da Makro Engenharia
Claudio Morais, gerente técnico da Makro Engenharia

Sempre que o guindaste LTM iria operar, a grua mais próxima tinha o seu giro limitado, pois não era possível travá-la. “Foi um trabalho de grande sintonia entre riggers e a equipe de montagem”, lembra Morais. A principal carga içada foram as peças de um arco de madeira, projetado pela empresa italiana Moretti. Dada a dificuldade de erguê-las no alcance desejado, foi até cogitado colocar primeiramente o arco solto e, em seguida, os seus 1200 parafusos, já no topo do shopping. Entretanto, a própria empresa italiana descartou tal possibilidade.

Abraão Lima, projetista de rigger da Makro Engenharia
Abraão Lima, projetista de rigger da Makro Engenharia

Além das inúmeras questões, como a dúvida sobre o içamento do arco, pessoas e carros nas proximidades, e os ventos da capital cearense, havia um desafio adicional. As cargas foram posicionadas em três locais diferentes, atrás do guindaste, na lateral e perto da própria montagem do arco. “Para içamento das peças atrás da máquina, o braço girava 180º e depois posicionava no local correto”, diz Lima. Detalhe: o operador não conseguia ver nem onde pegava e nem onde posicionava a carga. Seus olhos, na realidade, eram os sinaleiros, que o “informavam” quando estava fazendo a ação certa. Foi também necessária uma grande sinergia dentro da obra para que tudo ocorresse normalmente. A operação do guindaste da Makro começou em 20 de maio e foi concluída com sucesso, dentro de um cronograma estabelecido, em 16 de junho.

SHOPPING ABRIU NOVO EIXO DE COMÉRCIO
O Shopping Iguatemi Fortaleza foi inaugurado em 1982 sendo um dos primeiros shoppings do Estado do Ceará. Esse empreendimento representou a abertura de um novo eixo de comércio – até então concentrado na região central e na Aldeota – no bairro Água Fria. A expansão atual é a sexta em sua história. Serão adicionados 122.000 m2 de área construída, com cerca de 32.000 m2 de Área Bruta Locável (ABL), ou 192 novas lojas e mais 2600 novas vagas de estacionamento coberto, totalizando, respectivamente, 492 lojas e 6700 vagas. A inauguração está prevista para o mês de novembro.

QUESTÃO DE OBRIGATORIEDADE

Alexandre Simões e Gustavo Cassiolato, diretores técnico e administrativo da Rigging Brasil
Alexandre Simões e Gustavo Cassiolato, diretores técnico e administrativo da Rigging Brasil

O plano de rigging deveria ser uma exigência do mercado para qualquer movimentação que exija uma carga mais pesada ou um  equipamento de porte médio para cima. Esse é um comentário quase geral, mas foi dado pelos diretores técnico e administrativo da Rigging Brasil, Gustavo Cassiolato e Alexandre Simões. Eles ressaltam a fundamental importância da presença em campo, para o levantamento dos dados, e da precisão das informações passadas para o papel, acompanhando as tendências de software. Uma vírgula errada ou um zero a mais pode fazer toda a diferença.

No entanto, as empresas normalmente só procuram elaborar planos detalhados quando se tratam de cargas muito fora do padrão, ou ainda pior, após um caso envolvendo um acidente fatal. “Um caso simples, com movimentos repetitivos e sem interferências, como rede elétrica e ventos, pode ter um planejamento pronto apenas em 24h”, lembra Cassiolato.

Além disso, os fundadores da Associação Brasileira de Movimentação e Amarração de Cargas (ABEMAC) defendem a necessidade de melhor instrução dos operadores, a partir de treinamentos. E vão além. “Eles precisam de uma estrutura adequada para o trabalho, com boa sinalização, lingada e periodicidade de inspeção, por exemplo”, diz Simões. De nada adianta apenas um bom plano, se não existe todo um conjunto favorável à operação.

NOS MÍNIMOS DETALHES

Áreas pequenas, terrenos acidentados, interferências aéreas e subterrâneas, como solos menos resistentes e linhas de energia e torres, geram dificuldades para a realização de operações. No entanto, muito antes da parte prática, existe todo um planejamento de serviço por trás, o chamado Plano de Rigging.

Sua importância começa na escolha do equipamento mais adequado para o projeto a ser desenvolvido, passando pela melhor opção de içamento de acordo com as condições específicas. É um estudo minucioso, que contém informações técnicas detalhadas. Na maioria das vezes, acontecem mudanças durante a construção de novas plantas, o que obriga a revisão dos Planos de Rigging.

Edvaldo Peixoto, diretor da IPS
Edvaldo Peixoto, diretor da IPS

“Por muito tempo, o Plano foi subestimado no ramo de movimentação de cargas, com poucos investimentos em planejamento”, relata Edvaldo Peixoto, diretor da IPS Engenharia de Rigging. Os trabalhos da IPS vão desde soluções simples até complexas, de grandes projetos, com engenharia de transportes, planejamentos, operacionais e treinamentos.

Por conta, aliás, de uma carência de profissionais na área de movimentação de cargas, a Crane Service, com uma experiência de mais 10 anos no Brasil, elaborou um Plano de Negócios sobre Engenharia de Rigging para atuação no País. “Nossa demanda é grande na qualificação de Riggers, tanto na ênfase do Plano de Rigging quanto nas Técnicas de Campo. São nossos dois treinamentos mais vendidos”, conta Hugo Moreira, diretor da Crane Service. Outro serviço bastante realizado é a chamada reciclagem dos operadores de todos os tipos de guindastes, que precisam de uma constante atualização. Nos dois últimos anos, a empresa foi também bastante procurada para treinamentos de Sinalização, Amarração de Cargas e Homem de Área.

Customização

elba nos detalhes plano rigging 2014“A Elba realiza treinamentos junto à Crane Service para a reciclagem de profissionais já habilitados para a elaboração de Planos de Rigging. Recentemente, promovemos o treinamento para os novos contratados que atuam na liderança do setor de operações da empresa”, conta Sylvio Barbosa Neto, diretor de operações da Elba Equipamentos e Serviços (EES). “O objetivo é capacitá-los no planejamento de movimentação de cargas envolvendo guindastes telescópicos sobre pneus, com ênfase prática no estudo, análise e elaboração de Planos de Rigging, ampliando o quadro da equipe apta a este exercício profissional”. A parceria com a Crane Service existe desde 2009.

Investindo também em treinamentos internos e externos, a EES, desde 2002, utiliza o Programa de Capacitação Interna, com a intenção de aumentar também a qualidade do trabalho, o que contribui para a satisfação dos clientes com os serviços prestados. No último treinamento realizado, foram capacitados 4 profissionais, que chegaram recentemente à empresa. O quadro apto a elaborar os Planos de Rigging da EES é composto por 7 profissionais. “Nossa meta maior é o acidente zero”, afirma Barbosa Neto.

No caso da Primax Transportes Pesados e Remoções Técnicas, foi realizado um investimento de aproximadamente R$ 50 mil na aquisição, desenvolvimento, deslocamento dos técnicos e treinamento das equipes com o software Crane Pro, da Crane Service. “Ele demonstrou a maior confiabilidade, flexibilidade e conhecimento do segmento, aliado a maior gama de recursos para desempenhar os projetos”, explica Julio Apolinario, gerente de operações e suprimentos da empresa. Permite toda a simulação em desenhos 3D da movimentação, com informação das variáveis operacionais em tempo real.

Software Crane Pro, adquirido pela Primax
Software Crane Pro, adquirido pela Primax

“O Crane Pro facilita a elaboração dos Planos de Rigging, possibilitando que sejam feitos com uma velocidade incrível e uma adequação em qualquer momento”, comenta Antonio Luiz Leite, diretor da Primax. Com o software, 5 funcionários serão capacitados, considerados chaves para as operações – gerentes supervisores e líderes, por exemplo. Os treinamentos podem ser feitos na própria companhia, que possui instrutores capacitados para ministrar treinamentos operacionais, em NRs (Normas Regulamentadoras), além da formação de operadores de empilhadeiras, muncks e guindastes.

Treinamentos e capacitações resultam, inicialmente, num ganho de qualidade, confiabilidade das informações e segurança nos içamentos. “Com o tempo, conseguiremos um grande ganho de flexibilidade no nosso dia a dia, devido à facilidade de trabalhar com a ferramenta inclusive no campo”, diz Apolinario. Em termos de segurança, a Primax planeja investimentos em duas frentes. Com processos e pessoas, prevê a certificação na OHSAS 18000 até 2014 e a implantação de um departamento de Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) com autonomia gerencial.  Já em equipamentos, investirá em novas tecnologias para remoção industrial, além de renovar a frota de guindastes, com uma estimativa de R$ 10 milhões em 2013.

Momento atual

Leonardo Scalabrini e Hugo Moreira, da Crane Service
Leonardo Scalabrini e Hugo Moreira, da Crane Service

“O grande desafio para a indústria de elevação e movimentação de cargas é a criação de normas específicas para o segmento. Infelizmente, a atual legislação não difere com clareza as normas para sistemas de movimentação de carga e atividades similares”, afirma Leonardo Scalabrini, diretor da Crane Service. “Precisamos de uma atuação junto aos órgãos regulamentadores quanto à normatização da atividade da movimentação de cargas com guindastes e de seus profissionais”. Não existe um padrão para toda a indústria, com solicitações variando para empresas de segmentos diferentes, como na mineração, siderurgia e petroquímica.

Num geral, houve uma melhora significativa da valorização da segurança pelas empresas brasileiras nos últimos anos, mas acidentes ainda ocorrem. “Melhorar o nível de qualificação dos profissionais envolvidos e trabalhar forte o planejamento é mais do que necessário. Por isso, batemos na tecla da busca pela normatização do segmento”, diz Scalabrini.

Outro desafio que as empresas enfrentam se dá na tentativa de aliar segurança na atividade de elevação a um custo viável, levando em conta toda a cadeia de logística de fornecimento. Essa mudança de mentalidade leva mais tempo. “Ainda hoje, é muito comum encontrarmos empresas que encaram a elaboração de Planos de Rigging como um custo e não como um investimento necessário para a manutenção da economia, segurança e qualidade”, conta Adriano Inguanti, diretor da IPS. “Estatisticamente, o maior índice de acidentes com a movimentação de cargas ocorre por falta de planejamento e capacitação. Por isso, a maior dificuldade é fidelizar a operação ao planejamento, por meio do Plano de Rigging”, conclui.